Como Anda Sua Memória?

A memória é uma propriedade importante da vida mental dos humanos. Sua característica fez com que as células do sistema nervoso não fossem passíveis de substituição como outras células do organismo, pois a nova célula não possuiria todas as informações adquiridas pela experiência.

Embora a memória seja uma propriedade geral da matéria - por isto podemos datar os fósseis e verificar a idade das árvores – a memória como propriedade da vida mental é surpreendente. Ela permite que o ser humano se estruture com sua singularidade e com as experiências vividas nas relações sociais.

A memória inicialmente é uma propriedade elétrica chamada de memória de curto prazo. É ela que utilizamos para olhar um número de telefone e o esquecemos em seguida.

É a partir de uma seleção complexa que envolve o desejo humano que selecionamos o que queremos que fique registrado como memória estrutural ou de longo prazo. Assim, caso um assunto nos interesse, ele vai prosseguir além da memória de curto prazo, vai ser transformado em códigos de linguagem para se produzir o engrama que é o traço duradouro que podemos trazer à lembrança quando necessário. Temos memórias tão importantes chamadas terciárias que estão sempre disponíveis como o registro de nosso nome, do nomes de nossos pais e outras lembranças indeléveis de nosso passado.

O engrama será armazenado em traços de linguagem como matrizes multidimensionais que incluem o registro das várias características daquele nome: sapato poderá ser registrado como vestuário, como artigo de couro, como acessório, como proteção ao pé etc. Isto facilita a organização do armazenamento e permite o acesso posterior.

A vida mental tem características ativas e por isto o esquecimento é também um fenômeno complexo e ativo. Existem registros que são enviados para fora da consciência por várias razões como dificuldades de se lidar com ele ou uma censura moral. Este fenômeno – recalcamento - foi estudado por Freud que inclui a censura de uma idéia, sua retirada da consciência e seu envio como um representante de uma representação para o inconsciente.

 A memória não é gasta com o uso. Muito pelo contrário. Quanto mais a usamos melhor ela fica!

Com o uso construímos estratégias de registro e de lembranças que são macetes que nos permitem usufruir de um conhecimento quando necessário. Por isto usem e abusem da memória. Não se acanhem em bolar estratégias que facilite o armazenamento. Por exemplo, o nome de um amigo Luiz pode ser associado à luz que já é uma pista a mais para o arquivo do cérebro recorrer na hora de lembrar.