Hábitos, Produtos E Práticas Higiênicas

1- Limpeza da genitália com movimentos de trás para frente

Algumas mulheres, ao fazerem a higiene genital, passam a toalha ou o papel higiênico de trás para frente, trazendo com este movimento microrganismos da região peri-anal para a genitália, onde pode determinar infecção.

2- Exposição da vulva e vagina a substâncias químicas

Muitas mulheres fazem uso regular de ducha vaginal, banho de assento, banho de espuma e de sais, óleos perfumados e desodorantes íntimos ou empregam excessiva variedade e quantidade de produtos (geralmente sabonete) para higienizar a genitália ou para lavar as roupas íntimas.

Nestes produtos existem tantas substâncias químicas (sabões, removedores de manchas, amaciantes, branqueadores, corantes de tecidos, perfumes, desodorantes, etc) que não surpreende que possam causar problemas. Por isso, muitas vezes, estes produtos não são higiênicos, mas causas de agressões.

Algumas destas substâncias podem causar alergia, uma reação inflamatória contra substâncias químicas estranhas ao corpo. Outras são irritantes, promovendo alterações da função normal ou interferindo com o ecossistema genital (veja abaixo).

Talvez os sabões sejam o grupo de substâncias que pode ser mais danoso. Os sabões são detergentes, isto é, ajudam a dissolver e remover os detritos ligados à gorduras. Normalmente, há pouca gordura sobre a pele e a mucosa genital, de modo que não é preciso usar um detergente.

Pelo menos, não é preciso usar uma grande quantidade de detergente. Além de sua ação detergente, os sabões têm pH alcalino em meio aquoso (maior que 7) e seu uso excessivo altera o pH normal da vagina (4,5 a 5). Estes efeitos causam:

· Aceleração da descamação do epitélio, tornando-o mais delgado e frágil, o que ocasiona sensação de ressecamento, ardência e prurido; · Remoção de substâncias protetoras da vagina, entre as quais anticorpos e imunoglobulinas; · Interferência com o ecossistema vulvo-vaginal, prejudicando as bactérias normais (lactobacilos ou bacilos de Döederlein) e permitindo a proliferação de bactérias ou fungos (micose) que causam infecção. Um detalhe importante, freqüentemente esquecido, é a prática de não enxaguar bem a roupa íntima, deixando resíduos dos produtos de lavagem na roupa. Isto ocorre, especialmente, quando se lava as roupas íntimas durante o banho, sob o chuveiro.

3- Uso de lubrificantes nas relações sexuais

Lubrificantes de composição mineral (como vaselina, KY gel, etc) podem irritar a genitália. Num primeiro momento, aumentam a lubrificação, mas podem causar ressecamento posterior.

4- Uso de roupas íntimas (calcinha, maiô, biquini, collant, roupa de ginástica, etc) de fibra sintética (lycra, nylon, etc).

Este tipo de roupa, especialmente se usadas por tempo prolongado, dificultam a aeração, diminuem a transpiração e a evaporação e, conseqüentemente, aumentam a umidade na área genital. Este aumento de umidade amolece a ceratina (camada mais externa que protege a pele) tornando-a mais frágil e sujeita a infecções.

5- Atrito excessivo entre a vulva e a roupa, toalha ou papel higiênico

Roupas íntimas muito justas, devido ao contínuo roçar com o corpo ou o ato de enxugar vigorosamente a genitália com toalha ou papel higiênico constituem traumatismo que provoca microlesões e predispõem a infecções.